Como Validar Sistemas HVAC em Conformidade com ANVISA, FDA e ISO: Abordagem Ágil com Suporte Digital

Introdução

Os sistemas de aquecimento, ventilação e ar-condicionado (AVAC), conhecidos internacionalmente como HVAC (Heating, Ventilation and Air Conditioning), exercem papel fundamental na manutenção da qualidade do ar em ambientes produtivos de indústrias biofarmacêuticas. A validação desses sistemas é essencial para garantir que produtos sejam fabricados em condições ambientalmente controladas e seguras.

Normas e Guias Técnicos

A maioria dos países possui normas claras sobre como os sistemas HVAC devem ser projetados, mantidos e validados. No Brasil, essas exigências são orientadas por normas da ABNT e por Resoluções da Diretoria Colegiada (RDC) da ANVISA.

Normas Técnicas Relevantes

  • ABNT NBR 16401: Instalações de ar-condicionado: projetos, conforto térmico e qualidade do ar.
  • ABNT NBR ISO 14644-1: Classificação da limpeza do ar por concentração de partículas.
  • ABNT NBR ISO 14644-3: Métodos de ensaio em áreas limpas.
  • ABNT NBR ISO 14698-2:2005: Avaliação e interpretação de dados de biocontaminação.

 

Principais RDCs da ANVISA:

  • RDC 658/2022: Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos
  • RDC 665/2022: Produtos médicos e de diagnóstico in vitro
  • RDC 654/2022: Insumos farmacêuticos ativos
  • RDC 430/2020: Armazenamento e transporte de medicamentos
  • RDC 47/2013 e RDC 48/2013: Saneantes, cosméticos e perfumes
  • RDC 204/2006: Fracionamento de insumos farmacêuticos

Validação de Sistemas Computadorizados (SCADA/Supervisório)

O sistema supervisório (SCADA) do HVAC é o elo entre o usuário e o controle automatizado. Deve cumprir requisitos de segurança e rastreabilidade definidos no Guia nº 33 da ANVISA e FDA 21 CFR Part 11.

Funcionalidades obrigatórias:

  • Controle de acesso com perfis e ID único
  • Trilha de auditoria para alterações em parâmetros críticos
  • Registro íntegro dos dados e assinatura eletrônica
  • Registro da autoria, data e hora de modificações

Um desafio recorrente está na validação de IHMs (Interfaces Homem-Máquina), que frequentemente não oferecem rastreabilidade adequada. Isso exige avaliação de riscos para sua liberação.

Arquitetura de Sistemas HVAC

A arquitetura de automação de sistemas HVAC envolve múltiplos componentes:

  • PLCs, IHMs, servidores, supervisórios e displays locais
  • Ações críticas podem ser executadas tanto via supervisório quanto via IHMs

A validação deve garantir que qualquer interface (inclusive IHMs) esteja em conformidade com os requisitos de integridade de dados e controle.

Gerenciamento de Riscos

Conforme o GAMP5® e o Guia nº 33 da ANVISA, a abordagem baseada em risco é essencial. A seguir, alguns cenários típicos de riscos:

  • Alterações em parâmetros críticos sem rastreabilidade via IHMs
  • Falta de identificação do operador nas IHMs
  • Inversores de frequência com displays locais que não registram alterações
  • Interferência local que impede o controle remoto correto

Esses riscos podem ser
mitigados com:

  • Travas físicas e eletrônicas
  • Configurações seguras no sistema supervisório
  • Uso de IHMs compatíveis com FDA 21 CFR Part 11

Validação Ágil e GO!FIVE®

A validação ágil é uma abordagem moderna, iterativa e adaptável. A plataforma GO!FIVE® permite aplicar essa metodologia ao HVAC, promovendo:

  • Divisão por áreas (zonas de produção, armazenamento etc.)
  • Validação incremental (qualificação de design, instalação, operação e desempenho por etapa)
  • Liberação progressiva, permitindo uso parcial do sistema conforme validação avança

A solução de validação digital GO!FIVE® inclui biblioteca pré-pronta de requisitos, riscos e testes aplicáveis a HVAC, facilitando a conformidade com ANVISA, ISO e FDA.

Monitoramento Ambiental

O monitoramento de temperatura, umidade e pressão diferencial pode ser integrado ao sistema HVAC ou operar de forma independente.

Porém, se o sistema de controle não for validado, não há garantia de integridade de dados. Assim, a ANVISA tem exigido a validação de ambos, controle e monitoramento, mesmo que sejam sistemas distintos.

Pontos Críticos a Observar

Um sistema HVAC servindo áreas classificadas deve ser considerado de impacto direto. Componentes e instrumentos devem ser avaliados segundo:

  • Parâmetros críticos (BPx): ex. pressão diferencial, fluxo de ar
  • Componentes críticos: filtros HEPA, válvulas, desumidificadores
  • Instrumentos críticos: sensores de temperatura, pressão, fluxo

Validação de Software x Qualificações

O sistema supervisório é classificado como crítico por envolver automação e permitir intervenção direta em etapas produtivas. Por esse motivo, é fundamental manter registros detalhados com as funcionalidades previstas, possíveis falhas, métodos de verificação e estratégias para assegurar desempenho adequado ao longo de seu ciclo de vida.

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Sobre a autora:

Lílian Ribeiro é engenheira química, tecnóloga em sistemas biomédicos, pós-graduada em Sistemas de Gestão Integrados e atualmente cursa um MBA em Ciência de Dados e Análise de Negócios. Lílian tem mais de uma década de experiência técnica e comercial nos setores de alimentos, farmacêutico e de saúde. Defensora da validação sem papel, ela é apaixonada por introduzir eficiência e inovação nas empresas de ciências da vida.A vasta experiência de Lílian é fundamental em projetos de validação e qualificação, abrangendo VLMS, ERP, EQMS, automação (PW) e qualificação de infraestrutura de TI.

Sobre a revisora:

Silvia Martins é engenheira elétrica com mais de 20 anos de experiência nas indústrias farmacêutica, biotecnológica e de dispositivos médicos. Recebeu treinamento especializado em GAMP5® e FDA 21 CFR Parte 11 na Inglaterra, validação SAP® na Alemanha e adquiriu expertise em integridade e governança de dados na Dinamarca. Como CEO e cofundadora da FIVE Validation, uma empresa dedicada a simplificar processos de conformidade, Silvia foca em otimizar e agilizar os procedimentos dos clientes, garantindo soluções robustas e em conformidade.